REVOLUÇÃO RUSSA


               No início do século XX a Rússia era um país pobre e atrasado tecnologicamente. Era conhecida como o "celeiro" da Europa por exportar enorme quantidade de cereais para todo o Velho Continente. 80% de sua população economicamente ativa vivia no campo. Em muitas regiões sequer se conhecia o arado. Os camponeses viviam na máxima miséria. Trabalhavam, sob a temperatura em torno de -25oC, com roupas de trapo e botas de papelão, enquanto o czar vivia acalentado luxuosamente em seu grandioso palácio. Leia abaixo o depoimento de um operário russo da época:


"NÃO NOS É POSSÍVEL SER INSTRUÍDOS PORQUE NÃO HÁ ESCOLAS E DESDE A INFÂNCIA DEVEMOS TRABALHAR ALÉM DE NOSSAS FORÇAS POR UM SALÁRIO ÍNFIMO. QUANDO DESDE OS NOVE ANOS SOMOS OBRIGADOS A IR PARA A USINA, O QUE NOS ESPERA? NÓS NOS VENDEMOS AO CAPITALISTA POR UM PEDAÇO DE PÃO PRETO; GUARDAS NOS AGRIDEM A SOCOS E CACETADAS PARA NOS HABITUAR À DUREZA DO TRABALHO; NÓS NOS ALIMENTAMOS MAL, NOS SUFOCAMOS COM A POEIRA E O AR VICIADO, ATÉ DORMIRMOS NO CHÃO, ATORMENTADOS PELOS VERMES"

                O povo não suportava mais tamanho sofrimento e, em janeiro de 1905, cerca de 200.000 mujiques (camponeses), operários e demais pessoas da comunidade organizaram uma passeata em São Petesburgo, liderados pelo padre Gapon, da Igreja Ortodoxa Russa. Nessa passeata levariam ao czar Nicolau II um documento clamando por direitos sociais e contando ao querido czar a situação do povo russo. Acreditavam que Nicolau II não sabia que seu povo passava fome e vivia na miséria e que, quando lesse a carta, ele livrar-se-ia dos maus assessores e o ajudaria. Nesse clima de paz, crianças, mães com filhos nos colos e homens iam, calmamente, cantando músicas religiosas, ao encontro czar. Porém, este, ao ver a multidão reunida, considerando isso uma insolência, irredutivelmente ordenou aos cossacos, tropa imperial de soldados, o imediato extermínio de todos. Os cossacos se postaram e, ao grito de permissão para atirar, tingiram de vermelho a branca neve que pisavam. A cavalaria completou o massacre cegando, com furos no olhos, as crianças e mutilando o ventre das mulheres grávidas. Gigantescas valas foram abertas para despejar os corpos, que eram removidos por dezenas de caminhões. O episódio passou para a história como o Domingo Sangrento. Milhares morreram cruelmente, porém os ricos da Rússia não tiveram seu dinheiro e privilégios abalados. Esse foi considerado o Ensaio Geral para a Revolução Russa. A máscara de Nicolau II caiu e o povo russo finalmente teve consciência da índole de seu comandante. A partir de então intensificaram-se os movimentos populares com greves gerais e muitas passeatas. Porém, com o uso de ostensiva violência por parte do czar, as revoltas amenizaram-se. Até 1917.=
                Veio a Primeira Guerra Mundial e a situação de miséria da Rússia piorou ainda mais. Fome, epidemias e a prática de violências provocada pela miséria espalharam-se por todo o país. As passeatas contra Nicolau II tomavam força novamente e as tropas imperiais, cansadas da guerra provocada pelos ricos e por seus exclusivos interesses, desertava em número cada vez maior, passando a lutar do lado do povo. O czar russo cometeu um fatal erro contra seu governo ao armar o povo para a guerra. Acabou financiando a sua derrocada. Porém, mais por seus atos do que pelas armas. O povo desejava apenas pão e paz. A situação tornara-se insustentável.
                Então, em 8 de março de 1917 (27 de fevereiro no antigo calendário russo) os rebeldes tomaram a capital Petrogrado e o czar foi derrubado. Instaurou-se um governo provisório controlado, principalmente, pelos Mencheviques e Socialistas Revolucionários, que, no primeiro momento, não queriam conduzir a Rússia ao Comunismo, mas apenas libertá-la do czarismo. A real intenção era uma democracia burguesa, se é que isso seja possível. Logo foram abolidas a censura à imprensa e a pena de morte aos que praticassem crimes políticos. Todos os partidos tiveram direito de manifestação. Essas diretrizes tomadas pelos Mencheviques foram excelentes. Mas muitas não passaram de palavras vagas rabiscadas num papel sem valor moral.
                Era abril quando Lênin soube da derrocada do czarismo russo e pôde sair do seu exílio na Suíça. Foi recepcionado por milhares de russos na estação Finlândia, em Petrogrado. A multidão estava inflamada ovacionando o seu grande líder. Lênin deferiu então um histórico discurso, no qual anunciava a frase que tornou-se o ideal de luta de todo um povo: "Todo o poder aos sovietes!".
                Apoiado por Trotsky, Lênin dizia que o governo provisório era um instrumento de dominação da burguesia. A partir de então, era junho de 1917, observou-se o governo provisório fazendo uso de métodos czaristas de repressão. Jornais bolcheviques foram destruídos e Lênin teve uma ordem de prisão expedida contra si.
                Em julho, o governo provisório, então liderado pelo nobre liberal Lvov, tentou reprimir manifestações bolcheviques e acabou caindo. Seu substituto foi Alexander Kerenski.
                Quem não estava satisfeito com essa revolução eram os imperialistas anglo-franceses. Tinham medo de que a Rússia saísse da guerra e, principalmente, medo de que os ideais democráticos se difundissem pelo mundo. Então apoiaram o general Kornilov numa tentativa de golpe de Estado para instituir uma ditadura de extrema-direita. Kerenski, apoiado pelos bolcheviques, que consideravam uma ditadura imperialista ainda pior que o já ruim governo provisório, permaneceu no poder. Com essa decisiva ação e consequente divulgação dos seus ideais cresceu a influência dos bolcheviques que tranformaram-se de minoritários a majoritários. A partir de agosto passaram a comandar os principais sovietes. A grande insurreição estava tomando vida.
                Leia o artigo editado no jornal bolchevique Rabotchi Put no dia anterior à queda do governo provisório e ascenção dos bolcheviques:

"TODO SOLDADO, TODO OPERÁRIO, TODO VERDADEIRO SOCIALISTA DEMOCRATA SINCERO COMPREENDE QUE A SITUAÇÃO ATUAL SÓ OFERECE DUAS ALTERNATIVAS: OU O PODER PERMANECE NAS MÃOS DOS BURGUESES E PROPRIETÁRIOS DE TERRAS, E ISSO SIGNIFICARÁ TODO TIPO DE REPRESSÃO PARA OS OPERÁRIOS, SOLDADOS E CAMPONESES, A CONTINUAÇÃO DA GUERRA, A FOME E AS MORTES INEVITÁVEIS... OU O PODER SE TRANSFERE PARA AS MÃOS DOS OPERÁRIOS, SOLDADOS E CAMPONESES REVOLUCIONÁRIOS; E NESSE CASO, SIGNIFICARÁ A ABOLIÇÃO TOTAL DA TIRANIA DOS DONOS DE TERRAS, O ANIQUILAMENTO IMEDIATO DOS CAPITALISTAS, A PROPOSTA URGENTE DE UMA PAZ JUSTA. A TERRA ESTARÁ GARANTIDA PARA OS CAMPONESES, O CONTROLE DAS INDÚSTRIAS ASSEGURADO AOS OPERÁRIOS. HAVERÁ PÃO PARA OS QUE TÊM FOME E ESSA GUERRA (1A. GUERRA MUNDIAL) CHEGARÁ AO FIM!!"

E na noite de 6 para 7 de novembro de 1917 as forças bolcheviques, constituídas por soldados e operários armados, tomaram os principais pontos e edifícios públicos de Petrogrado. O Governo Provisório foi deposto e os bolcheviques ascenderam ao poder. Lênin logo tirou a Rússia da guerra através da assinatura do tratado de Brest-Litóvski, além de, rapidamente, eliminar os latifúndios com a reforma agrária e o fim da propriedade privada, decretar o controle operário sobre as fábricas, adotar o regime de partido único, declarar o monopólio estatal do sistema financeiro, do sistema de crédito e das exportações.


FONTE: EDMS – Trabalhos Escolares, Educação & Diversão (ANO 2000 - 2003)

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